24 de novembro de 2010



"O sexo está nelas, e o mundo está nelas. E a loucura reside nesse mundo." (Vinicius de Moraes)


Inquietude


Somos dramáticas, segundo ela. Queremos amor de mais, beleza de mais, realizações de mais. Ganhar o jogo no domingo não nos satisfaz, não ganhamos o dia numa partida de videogame. Mesmo na alegria, estamos inquietas, queremos mais, queremos tudo.

Na contramão, estamos sempre procurando o caminho do meio, o equilíbrio. Mas o que é isso para quem é – naturalmente – desequilibrada?! Nem todo mundo nasceu pra malabarista. Por isso, existem os palhaços que fazem de si a própria piada, os mágicos que iludem e há os bailarinos, que na beleza da dança esquecem os próprios calos.

Mulher tenta sempre ser um pouco equilibrista, mesmo quando a vontade é pôr fogo no circo. Um chá, yoga, comida, cerveja, sexo, cigarro, uma corrida no quarteirão. O equilíbrio está sempre em algo que não nos pertence. Não é nosso. Equilibramos a dor com o salto, o batom e a cor das unhas com o desejo, o tamanho da saia com o pecado, o cabelo com a vontade de mudar. No dia seguinte, tênis, acetona, jeans e lenço.

Somos tantas. Enlouquecidas, melancólicas, saudáveis, destrutivas, apaixonadas, incomodadas, tranqüilas, infernizadas, encantadoras. Pacote completo, sem manual de instrução.


Sobremesa: "Diz Frank Sinatra que a arte de conquistar uma mulher se resume em compreender o que ela não diz... Terá Sinatra razão?" (Clarice Lispector)